segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Recuperando a gentileza


A gentileza fala do que existe de melhor na espécie humana. E o que existe de melhor na espécie humana é fácil de conseguir. Com a gentileza, acreditem, a gente fica gente.

Moacyr Scliar

Para a maioria das pessoas, a palavra gentileza significa uma postura elegante, refinada, coisa de elite. A gentileza seria a prática corrente do gentil-homem, um termo antigo para designar aristocrata, e tão exclusivo que nem permitia uma versão feminina: alguém aí já ouviu falar de gentil-mulher?

Prefiro pensar em gentileza de forma diversa. Prefiro pensar em gentileza como coisa de gente. Gente, no sentido mais elevado do termo. Aquele sentido que usamos quando dizemos: "Fulano é gente". Ser gente é importante. Ser gente é viver a condição humana com generosidade, com altruísmo, com elegância. E a decorrência lógica deste modo de vida é a gentileza.

Mas do que falamos quando estamos falando em gentileza? Estamos falando, em primeiro lugar, de coisas simples, de pequenos gestos. Exemplo clássico: dar lugar no ônibus. Para uma pessoa idosa, para uma grávida, para uma mulher. Aparentemente é fácil de fazer. Aparentemente deveria ser uma iniciativa espontânea. Não é. Os ônibus têm um aviso lembrando que alguns assentos estão destinados preferencialmente a essas pessoas. Mas nem todos os passageiros dão bola para o aviso. Nem todos os passageiros são gentis. Gentileza, ao contrário da taxa de juros, é algo que está em baixa. E por que está em baixa?

Em primeiro lugar, porque gentileza se traduz exatamente em coisas como esta, em abrir mão de uma situação de vantagem, em dar o lugar. E dar o lugar, qualquer que seja este lugar, é uma iniciativa que poucos tomam. Compreensivelmente, porque a regra em nosso mundo é ocupar lugar, não dar lugar; a regra é a pessoa conseguir o seu próprio espaço, é abrir caminho usando os cotovelos, se for o caso. Ou seja, a lei da selva adaptada ao convívio urbano - ironicamente, porque urbanidade implica gentileza.

Mas há uma atitude pior: negar a gentileza em nome de uma pretensa igualdade. As mulheres não queriam ser iguais aos homens? Então, que fiquem de pé nos ônibus. Como os homens.

É um raciocínio ao qual não falta uma certa lógica. O que falta a este raciocínio é outra coisa. É serenidade (substituída, não raro, por um maldisfarçado rancor). É generosidade. E as pessoas não renunciam à serenidade e à generosidade sem pagar um preço elevado.

Quando deixamos de dar o lugar, deixamos de dar. De novo, isto pode ser encarado com cinismo. As palavras de São Francisco, "é dando que se recebe", são usadas, sobretudo na política brasileira, como sinônimo de arreglo, de barganha, de toma-lá-dá-cá. É o princípio que preside ao loteamento de cargos. Cargos, como se sabe, representam lugares privilegiados, pelos quais muita gente luta encarniçadamente.

Isto é o raciocínio primário. A pessoa que ultrapassa esse raciocínio sabe que dar o lugar beneficia enormemente aquele que vai ficar de pé. Porque, ficando de pé, ele se torna gente. Ele cresce, figurativamente falando. Ele se destaca entre os demais. O cara que dá o lugar no ônibus é olhado pelos outros. É olhado com respeito, quando não com inveja. A gentileza fala do que existe de melhor na espécie humana. E o que existe de melhor na espécie humana é fácil de conseguir. Com a gentileza, acreditem, a gente fica gente.

Fonte: Carta Maior - Arte & Cultura| 08/12/2006 | Copyleft

sábado, 14 de novembro de 2009

Dicas para escrever bem!

Agora não tem desculpa...

1. Vc. deve evitar abrev., etc.

2. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, segundo deve ser do conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça das maiúsculas", como já dizia dona loreta, minha professora lá no colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.

5. Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado?

9. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa bost@.

10. Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro.

11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: "Quem cita os outros não tem idéias próprias".

13. Frases incompletas podem causar...

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!!!

25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da idéia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

Fonte: http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=1309

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A diferença entre homens e mulheres

Pra acabar com um longo jejum sem novidades no blog.


Digamos que um homem chamado Paulo esteja atraído por uma mulher chamada Elaine. Ele a convida para ir ao cinema; ela aceita; e eles passam uns bons momentos juntos.

Alguns dias depois ele a convida para jantar, e novamente eles adoram a companhia um do outro. Eles continuam se vendo regularmente e logo nenhum deles está saindo com outra pessoa.

E então, numa noite, eles estão retornando de carro para casa dela, e Elaine tem um pensamento. Sem pensar muito ela diz alto:

- Você percebeu, que, como hoje, nós estamos saindo juntos há exatamente seis meses?

E então há aquele silêncio no carro. Para Elaine, parecia uma eternidade. E logo ela pensa com ela mesma: (Que burra! Eu tinha que fazer este comentário logo agora? Isto pode ter chateado ele. Talvez ele esteja se sentindo preso pelo nosso relacionamento; talvez ele pense que eu o esteja pressionando para um compromisso que ele ainda não quer, ou ainda não está bem seguro disso.)

E Paulo está pensando: (Puxa! Seis meses!)

E Elaine pensa: (Hei! Mas eu também ainda não estou certa de querer este tipo de relacionamento. Às vezes eu penso que seria melhor eu conservar o meu espaço, eu tenho que pensar se eu quero continuar avançando nesta direção, e saber para onde estamos indo? Vamos continuar nos vendo um ao outro neste nível de intimidade? Estamos caminhando na direção de um casamento? De filhos? Enfim, de uma vida longa juntos? Estarei eu pronta para este tipo de compromisso? Eu realmente conheço esta pessoa?)

E Paulo está pensando: (Então isto significa que foi ... vejamos ... Fevereiro, quando nós começamos a sair juntos foi exatamente quando eu comprei este carro na concessionária. Isto significa ... Deixa eu conferir o velocímetro ... Puxa! Eu já passei da quilometragem para a revisão dos 5.000 Km.)

Elaine está pensando: (Ele está preocupado. Posso ver na sua face. Talvez eu devesse ter ficado com a boca fechada. Talvez ele queira mais do nosso relacionamento, mais intimidade, mais cumplicidade; talvez ele tenha sentido - mesmo antes de eu sentir - que eu estava me reservando demais. Sim, eu aposto que é isso. É por isso que ele está tão relutante em dizer alguma coisa sobre seus sentimentos. Ele está com medo de estar sendo rejeitado.)

E Paulo está pensando: (Eu preciso levar o carro para eles verem esse barulho na transmissão novamente. Não importa o que eles dizem, o barulho diminuiu, mas continua. Eles vão dizer que o motor está amaciando. Mas que amaciando? Com 5.000 KM? É melhor eles nem tocarem nisso. "Amaciando" era para os motores de 30 anos atrás... Estamos quase no ano 2000, e este carro está fazendo um barulho como se fosse um caminhão de lixo. E eu paguei R$ 22.000,00 àqueles ladrões por este carro.)

E Elaine está pensando: (Nossa! Ele está mesmo zangado e eu não o culpo. Eu estaria também zangada. Deus, eu me sinto tão culpada, colocando-o na parede desse jeito, mas a maneira como me sinto não vai ajudar em nada. Só que eu não estou muito certa....)

E Paulo está pensando: (Eles provavelmente vão dizer que o carro agora está fora da garantia. Isso é exatamente o que eles vão dizer, aqueles salafrários. Na hora de vender eles prometem tudo. Agora.....)

E Elaine ainda pensa: (Talvez eu seja muito idealista esperando por um cavaleiro montado em um cavalo branco, enquanto eu estou sentada ao lado de uma pessoa boa, uma pessoa com quem eu gosto de estar, uma pessoa com quem eu me sinto bem, uma pessoa que parece verdadeiramente se interessar por mim, e que está chateado agora devido ao meu egoísmo, sonho de meninice, e de fantasia romântica.)

E Paulo está pensando: (Garantia? Eles querem garantia? Eu dou esta maldita garantia. Eu vou pegar esta garantia e falar para eles para enfiarem...)

- Paulo - fala Elaine alto.
- O que? - diz Paulo.
- Por favor, nao se torture com isso! - diz ela, seus olhos começam a brilhar com lágrimas - Talvez eu não devesse ter comentado... OHH! Eu me sinto tão ...

Elaine para e soluça.

- O que? - diz Paulo, preocupado em tentar relembrar algo que ela tivesse dito e que ele não tivesse prestado atenção.

- Eu sou tão tola - Elaine soluça - Eu quero dizer, eu sei que não há nenhum cavaleiro. Eu sei realmente. Que Tolice. Nao há cavaleiro e nao há nenhum cavalo.

- Nao há nenhum cavalo? - diz Paulo.
- Voce deve pensar que eu sou uma tonta, nao é? - diz Elaine.
- Não! - diz Paulo, feliz por finalmente saber uma resposta correta.
- É somente... É somente que ... Eu preciso de algum tempo - diz Elaine.

(Passam-se uns 15 segundos até que Paulo, tentando pensar tão rápido quanto podia, pudesse achar uma resposta segura. Finalmente ele vem com uma que ele pensa que pode dar certo. Afinal não queria revelar que não estava entendendo sobre o que ela estava falando).

- Sim - diz ele.

(Elaine, profundamente comovida, toca a sua mão.)

- OH , Paulo, você realmente sente desse modo? - diz ela.
- Sobre o que? - diz Paulo.
- Sobre o tempo - diz Elaine.
- OH - diz Paulo - Sim.

(Elaine vira o rosto dele para ela e olha em seus olhos, causando nele um certo nervosismo sobre o que ela poderia falar em seguida, especialmente se envolvesse um cavalo).

Por último ela fala.

- Obrigada, Paulo. Você é maravilhoso - diz ela.
- Obrigado, você tambem - diz Paulo.

Então ele leva ela para casa, e ela deita em sua cama, e conversa com sua torturada alma, e se vira pra lá e pra cá, até altas horas na madrugada enquanto Paulo, volta para seu apartamento, abre um pacote de batatas fritas, liga a TV, e comeca a ver o replay de um jogo de tênis de dois jogadores tchecoslovacos que nunca havia ouvido falar antes. Uma voz no fundo da sua mente lhe dizia que poderia haver algo mais sério relacionado com o barulho que ele estava tendo no carro, mas ele nao podia deduzir nada. Nao entendia nada de mecânica. Então era melhor não pensar mais nisso...

No dia seguinte, Elaine telefonará para sua melhor amiga, ou talvez duas delas, e elas conversarão sobre esta situação por seis horas sem parar. Elas analisarão, em detalhes tudo que ela falou, o que ele disse e revisarão muitas vezes, explorando cada palavra, expressão, e gestos para entender as nuances, e considerando cada possível ramificação. Elas continuarão discutindo este assunto muitas vezes, por semanas e meses, nunca chegando a uma conclusão definitiva, mas nunca se enchendo de tocar no assunto.

Neste meio tempo, um dia, Paulo, enquanto joga tênis com uma amiga comum dele e da Elaine, faz uma pausa antes de tomar um copo de água e pergunta:

- Cristina, a Elaine tem algum cavalo?

(texto de autor desconhecido)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Pousada Casa da Fazenda

Esta Pousada fica na rota do Caminho da Fé, no município de Paraisópolis - MG.







Pousada Casa da Fazenda

Esta Pousada fica na rota do Caminho da Fé, no município de Paraisópolis - MG.







sexta-feira, 18 de setembro de 2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Férias

UEBAAAA. Duas semanas de férias.

Caminhando, pra variar...

Logo eu dou notícias!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Chove



Todo feriado chove...




...

Bons profissionais precisam estar abolindo o gerundismo

Ter boa capacidade de comunicação é fundamental no mundo corporativo. Por isso, atentar contra a língua portuguesa durante uma apresentação de negócios pode arranhar a imagem profissional de qualquer gestor. Principalmente se a gafe for o uso do gerundismo, vício de linguagem que se tornou uma espécie de praga nas empresas nos últimos anos. Por estar associado aos níveis mais baixos da hierarquia empresarial, usar expressões como “vamos estar reestruturando” soa como palavrão quando pronunciadas por um executivo.

Como todos estão sujeitos a eventuais deslizes, uma dica para contornar a situação é usar o bom humor. A sugestão é de Ricardo Piovan, diretor da Portal Fox, empresa especializada em consultoria organizacional, coaching e treinamentos. Há cerca de cinco anos, quando começou a fazer palestras, ele percebeu que costumava incorrer em alguns vícios de linguagem - palavras ou construções que atrapalham a manifestação clara do pensamento (veja box) - e resolveu fazer um treinamento específico sobre comunicação. “Hoje, como meu ouvido está mais educado, se escapa um gerundismo, faço uma brincadeira com a situação e continuo”, comenta.

Para Piovan, o hábito de usar gerundismos prejudica a credibilidade do profissional. Ou seja, o público pode pensar que a falta de preocupação com algo tão básico como a própria capacidade de expressão pode ser um indício de negligência com outros aspectos da carreira. “Esse raciocínio não é necessariamente verdadeiro, pois a pessoa pode ser ótima gestora. Mas a queda de confiança acontece, e até de modo inconsciente”, alerta Piovan. A boa notícia é que na alta gerência esse tipo de problema é incomum. Porém, os demais escalões precisam ficar alertas. “Entre os coordenadores e também no nível operacional, o gerundismo ocorre com freqüência”, aponta.

Curiosamente, segundo os acadêmicos, o gerundismo não é um erro do ponto de vista gramatical. “Não há nenhuma regra na língua portuguesa que impeça a utilização desse tipo de construção”, esclarece José Simões, professor da Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo (USP). Porém, no mundo corporativo e mesmo fora dele, esse tipo de expressão verbal continua sendo malvisto.

Seja ou não mero preconceito, o fato é que há formas menos polêmicas e até mais simples de formular a mesma idéia que o gerundismo tenta expressar. Sem contar que esse vício de linguagem é geralmente associado aos funcionários de telemarketing. Há quem diga que o gerundismo começou com a má tradução dos manuais de telemarketing, em meados dos anos 90. É que no inglês o gerúndio é uma das formas verbais usadas para indicar futuro, em uma estrutura que não existe na língua portuguesa.

A explicação é engenhosa mas, para Simões, carece de base. “Acho que até agora ninguém olhou essas apostilas para saber se foi assim mesmo que o gerundismo surgiu”, contesta. O acadêmico tem outra hipótese para o fenômeno. Para ele, no contexto do telemarketing, as pessoas tentam usar uma linguagem mais culta do que normalmente usam. Por isso, acabam criando uma “pseudonorma culta da língua”. Ele lembra que, há cerca de duas décadas, os professores de português consideravam errada a locução verbal “vou ir”. Hoje, esse tipo de construção é a mais comum para expressar o futuro. O problema é que os funcionários de telemarketing “tentam mascarar o vou mandar e acabam dizendo vou estar mandando”, analisa.

De qualquer modo, quem ocupa os primeiros postos das empresas já está mais atento ao problema. Para Regina, o gerundismo ainda é muito falado, mas os executivos já “se tocaram” do problema. Ela conta que uma de suas alunas, uma consultora na área de empreendedorismo, costumava usar muito esse emprego incorreto do gerúndio. “As pessoas comentavam o fato. Diziam que ela tinha um modo de falar que não era compatível com a função dela. Para ser sincera, o gerundismo é visto como uma linguagem de pessoas menos qualificadas. Além de ser antipático e cansar o ouvinte”, observa.

(Gazeta Mercantil - João Paulo Freitas)
São Paulo, 2 de Outubro de 2008

Com a contribuição do blog do meu amigo Tico:
http://www.germanocwb.byethost13.com/

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Texto ingênuo.

O Ético Sofre

Outro dia, depois de uma cansativa jornada de trabalho e de passar muito tempo no supermercado fazendo compras, fiquei feliz por notar um caixa com apenas uma pessoa na fila e com apenas alguns itens para pagar.

Comecei a pensar que o dia não fora tão mal assim, afinal. Mas me enganara.

Logo, outra pessoa chegou com um carrinho totalmente cheio e juntou-se ao cavalheiro que aguardava na minha frente. O cidadão estava, na verdade, guardando lugar na fila enquanto sua mulher continuava a fazer compras. Uma bobagem, afinal de contas, já que não houve um “furo de fila”, mas que me rendeu algumas meditações pouco nobres. Restou-me procurar outro guichê que estivesse menos concorrido.

Enquanto aguardava o pagamento de minhas compras, fiquei imaginando que jamais faria coisa igual àquela. Era, na minha opinião, um desrespeito com as demais pessoas.

Depois, já em casa, fiquei pensando nas inúmeras vezes que tais coisas acontecem conosco nas mais diversas situações. Sempre com a velha tese de que nós, brasileiros, somos assim mesmo.

Descobri que a pessoa bem educada que respeita os demais e é ética, é passada para trás cotidianamente.

Vivemos num país que se vangloria, até mesmo em suas canções mais populares, de possuir apenas o famoso “chavão”: “malandro é malandro e mané é mané”.

Ora, se você não é o “malandro” da história, certamente o farão parecer ser o “mané”.

A ética, no Brasil, é tida como algo circunstancial que sempre terá como resposta para a pergunta: “Você é ético?”, a palavra: “Depende”.

Neste sentido, a pessoa que é ética, íntegra, que respeita as leis e as demais pessoas, sofre neste país.

Sofremos sempre que alguém o ultrapassa pelo acostamento num engarrafamento, porque ele certamente fará o trânsito ficar ainda mais lento lá na frente, prejudicando a todos que não fazem isto. Sofremos quando alguém adultera o velocímetro do carro apenas para vendê-lo como se tivesse menos quilometragem. Sofremos quando subornam policiais para não serem multados.

Sofremos quando pessoas inescrupulosas estacionam seus carros na calçada, ou nas vagas de idosos e deficientes, ou ainda, em fila dupla ou tripla em frente das escolas. Ou quando tentam agilizar algum processo utilizando uma rede de influências.

Sofremos quando pessoas furam filas utilizando desculpas esfarrapadas. Quando violam a lei do silêncio. Quando trocam votos por bens materiais. Quando jogam lixo nas ruas e não preservam a natureza.

Da política, então, melhor nem falar.

O ético sofre porque se ele quiser assinar uma TV a cabo, terá que pagar integralmente pelo serviço, enquanto o “malandro” fará uma ligação clandestina. Não contrabandeará bens para pagar mais barato. Terá que estacionar numa vaga lícita e andará mais por isso, ou então, terá que pagar pelo estacionamento privado. Caso tenha se descuidado com alguma lei de trânsito, terá que pagar a multa e arcar com as consequências. Por isso, terá que trabalhar mais porque ser ético também custa mais caro. Demanda mais tempo. Requer mais tolerância e paciência.

Sem querer ser hipócrita, minhas meditações levaram a procurar, em mim, onde também estava tentando levar vantagem em relação aos demais.

A princípio, imaginei ser uma pessoa que poderia ser considerada modelo de retidão. Mas longe disso, também encontrei meu calcanhar de Aquiles.

Lembrei-me de inúmeras pequenas atitudes para levar alguma vantagem pessoal que, embora não sejam crimes contra a humanidade também não se constituíam em atitudes condizentes com o conceito de ética que estava cobrando dos outros. Envergonho-me disso.

Mas o que nos faz sermos assim? Porque achamos que todas as coisas estão ao nosso dispor independente da vontade ou do direito dos outros?

Porque nos países “ricos” ou ditos “de cultura milenar” isto parece acontecer com menos frequência?

Não creio que se trate apenas de riqueza ou antiguidade de um país. Tampouco na cor da pele dos seus habitantes.

A diferença está, a meu ver, é na atitude das pessoas. Somos moldados diariamente, ao longo de muitos anos, a nos comportar dessa maneira até que chega um ponto em que parece normal agir assim. Até nos vangloriamos disto em alguns momentos.

Fica valendo a velha máxima: “Ora, todo mundo faz assim. Que diferença fará se eu não fizer o mesmo?

Esta característica nos deixa pobres! Enquanto não houver vontade de assumir os princípios éticos de respeito e responsabilidade, jamais chegaremos num patamar de cultura que nos permita sair da miséria moral e intelectual que estamos atolados hoje.

Segundo Adeli Sell (Secretário Municipal da Produção, Indústria e Comércio de Porto Alegre) “As pessoas não são o que falam, nem o que pensam. São o que fazem".

Está na hora de virarmos este jogo. Temos que começar a fazer a diferença. Não é porque todos fazem ou deixam de fazer algo, que também faremos igual.

Não vou comprar produtos ilegais para que os “malandros” não tenham mercado para vendê-los. Não vou comprar peixe na época do defeso, mesmo mais barato, nem comprar casacos de pele de animais que estão em extinção. Não vou subornar policiais, nem vou aceitar suborno de ninguém, por nada. Tampouco vou jogar lixo na rua, ainda que a rua esteja repleta de lixo. Não vou ensinar nem vou admitir a malandragem em minha família.

Não vou me apropriar do bem alheio achado na rua, ainda que não saiba a quem pertence. Devolverei numa delegacia. Ora, dirá, o policial ficará com o produto de seu achado! Sem problema, estou tratando da minha ética, e não da dele!

Simplesmente não quero cooperar com o que está errado.

Se todos pensássemos assim, as coisas lentamente melhorariam. Continuaríamos a ser o “mané” da história, mas antes assim. Quero poder reclamar dos políticos corruptos, que não são poucos, sem me sentir cúmplice. Não vou admitir que digam que faria o mesmo se estivesse lá. Jamais.

Vou ser tentado muitas vezes, e algumas, ou muitas, vezes vou cair. Não sou perfeito!

Mas não quero ser “assim mesmo”! Quero ser diferente. Um “mané”, com todo o orgulho!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Mar e Tu

Lógica

´Desenvolvimento Sustentável - Arrogância e Utopia´.

Genebaldo Freire
Doutor em Ecologia, analista ambiental do Ibama e professor da Universidade
Católica de Brasília (UCB), Genebaldo Freire esteve no Ceará ministrando a
palestra ´Desenvolvimento Sustentável - Arrogância e Utopia´. Nesta
entrevista, ele fala sobre mitos e fatos do futuro do ser humano na Terra


O que quer dizer?


Significa que, mantidos o cinismo das formas de produção, crescimento
populacional, aumento do consumo e políticas totalmente afastadas da relação
ser humano-ambiente, não há a menor possibilidade de desenvolvimento
sustentável, nem teoricamente. Esse termo é extremamente arrogante. O que
precisamos é de ´Desenvolvimento de Sociedades Sustentáveis´. Essa história
de ´salvar o planeta´ é bobagem. Primeiro porque o planeta não está em risco,
segundo porque não teríamos condições de salvá-lo, nem ele precisa disso. O
planeta sempre esquentou, passou por períodos de glaciação e vai continuar
sua escalada. Daqui a 7,5 bilhões de anos, o sol apaga, congela. Ele tem seus
próprios mecanismos de regulação.

Então a Terra não está em risco como se propaga?

O que está em risco é a sociedade humana, conceitos de bem-estar,
democracia, respeito ao próximo, organização social. Isso está ameaçado
porque tivemos uma educação que nos remete a sermos consumidores úteis e não
a pensarmos a relação com o ambiente. Somente nos últimos tempos, com o
aquecimento global, percebemos a necessidade de mudanças radicais em nosso
estilo de vida.

E o aquecimento global?

A Universidade de Columbia publicou, em setembro, o índice de
vulnerabilidade de 100 países. Lugares que estão mais em cima, como
Finlândia, Islândia, Noruega e Dinamarca, estão menos vulneráveis. Mas o
Japão, que é uma ilha, está em sexto lugar na lista. Por quê? Porque há mais
de 15 anos eles investem em adaptações para se ajustar ao aquecimento global.
A Holanda, que tem 57% de suas terras abaixo do nível do mar, está em 14º
lugar. Países como Estados Unidos, Alemanha e França estão investindo nisso
porque sabem o que pode acontecer nos próximos 10, 20, 50 e 100 anos. O
Brasil está em 56º lugar em vulnerabilidade. Isso mostra que não temos alta
governança.

Alta governança?

Isso mesmo. Quer dizer que, apesar de sermos o oitavo país mais rico do
mundo, temos baixa capacidade de respostas. Isso acontece por diversos
motivos, mas, principalmente, pela burocracia e corrupção. Temos tecnologia,
cientistas brilhantes e o mapa de vulnerabilidade já está feito. Mas falta a
parte seguinte, que são os planos de adaptação e mitigação. Estamos parados
em relação a isso. Sabemos que terras boas vão virar semi-áridas e, depois,
áridas. Sabemos que as regiões que mais vão sofrer no Brasil são Nordeste,
Sul e Sudeste, pelas mudanças profundas no regime de águas. Fortaleza, por
ser litoral e estar no Nordeste, está dentro da área de altíssima
vulnerabilidade. Disponibilidade de água, perda de safras e migração precisam
ser pensadas. Até 2050, quem está hoje com 10 anos de idade, vai passar
sufoco, caso não haja planejamento agora. Não há necessidade de pânico, mas é
preciso competência, envolvimento e seriedade.

Então o nosso fim pode ser adiado?

A destruição é inevitável. O que é evitável é apressar o processo para
ficar mais tempo aqui e evoluir. Daqui a três bilhões de anos a Terra não vai
mais reunir condições para que nossa espécie continue, pelo menos como é
hoje. A evolução biológica não acompanha a evolução cultural. A cultural é
muito mais rápida. Biologicamente levamos milhares e milhares de anos para
incorporar adaptações, digamos, casuais, de uma mudança na composição química
da atmosfera. E, se não tivermos mais 21% de oxigênio, mas 22%? Todos os
seres humanos morrerão. Não há como se ajustar caso a mudança seja rápida.
Biologicamente não teremos resposta. O grande fascínio da vida são os
mistérios que nos cercam, a contemplação, a reflexão sobre esses mistérios.
Infelizmente as políticas não têm tratam disso.

A conscientização pode minimizar os impactos?

Não acredito em grandes catástrofes ecológicas, mas muitas populações irão
migrar passando fome, aliás, já está acontecendo. São 36 nações em guerra por
causa de água, com recursos minados pela corrupção. O grande papel do
movimento ecológico foi trazer a análise sistêmica, ver o todo, para que não
se perca no tempo apenas ganhando dinheiro e comprando coisas. A indústria do
entretenimento, por exemplo, mantém a pessoa presa diante da televisão, sem
tempo para meditar, refletir ou buscar vida plena. As pessoas ficaram
ocupadas em ganhar dinheiro e esse tipo de valor corrompeu demais, gerou
valores perigosos. Ninguém poderia imaginar, há 20 anos, que alguém tivesse
coragem de falsificar medicamentos para pessoas com câncer ou colocar soda
cáustica em leite servido para idosos e crianças. Comportamentos dessa
natureza são sintomas de afastamento da missão maior. Hoje, o grande desafio
da educação é trabalhar valores, ética. Quando eu vejo educação ambiental
centrada em coleta seletiva, despoluição, hortas, digo que é pouco. Temos que
fazer isso e muito mais. Isso representa apenas 5% do problema.

É como ampliar a idéia de causa e efeito?

Exato. É preciso saber que são necessárias mudanças mais profundas que
simplesmente proteção da camada de ozônio, economia de água ou energia
elétrica. Claro que são fatores importantes, complementam elementos de gestão
ambiental. Mas, o que se exige hoje, está muito além de separar e reciclar
lixo. É preciso repensar o consumo. Há necessidade de recusar certas coisas.
E isso não se faz de uma hora para outra. Estamos em processo evolucionário,
no topo de mudanças e transformações que vão mexer com estilos de vida. As
empresas, no início, incorporaram a questão ambiental forçadamente. Agora
fazem porque dá lucro, quando elas economizam matéria-prima, quando melhoram
o marketing ambiental. É preciso ter estados, empresas, pessoas que
incorporem a necessidade de mudar a relação com o ambiente. Isso demora
algumas décadas, mas acredito que estamos em bom caminho.

Para onde caminha a humanidade?

Vivemos um período fascinante. Talvez o mais exuberante da escalada humana
na Terra. Porque estamos mudando paradigmas e o aquecimento global veio
facilitar isso. Ganhamos esqueleto ósseo e corpo físico recheado de água e
proteínas para vivermos a experiência humana por determinado período de
tempo. Nossa experiência é para a evolução. Nosso papel é produzir
transformações. Todo o universo está assim. Mas nosso equipamento sensorial é
bruscamente atrapalhado pela religião e educação. Tem um pensador inglês que
diz que o ser humano nasce ignorante, mas são necessários vários anos de
educação para que ele se torne estúpido. A educação como está virou comércio
e com baixíssimo potencial de preparar pessoas tolerantes, compreensivas,
éticas, perceptivas, que tenham clareza do que vieram fazer aqui. Tudo
embevecido pelo consumismo. A grande preocupação é reunir dinheiro para
comprar coisas e pagar impostos. Depois envelhecem, entram em depressão e
morrem. A vida é mais que isso e o tempo curto para vivermos essa
experiência. É preciso aproveitar intensamente cada dia, minuto, segundo; ser
consciente do próprio papel, dizer o que pensa, discordar elegantemente e
contribuir.

O homem ainda tem a ilusão de ser o centro do Universo?

Temos um milhão de anos sobre a terra. Os gatos têm 35 milhões de anos; as
lagartixas, 50 milhões; as samambaias, 400 milhões de anos. Imaginar que o
planeta foi preparado para receber a espécie humana é arrogância e falta de
percepção do que significa a vida na Terra. Somos apenas elo integrante da
teia da vida que não deveria ser chamado planeta Terra, mas sim, planeta
´Vida´. Tudo aqui foi costurado, programado, concebido para abrigar vida. A
vida no planeta é tão exuberante que, se um prédio ficar sem manutenção
alguns anos, a vegetação toma conta. Você encontra uma flor emergindo no meio
de um asfalto a 50º C. A Terra foi concebida para abrigar vida. Nós, seres
humanos, somos, apenas, mais uma espécie. Fomos guinados a sermos a coisa
mais importante do planeta por meio das religiões, erro que hoje elas
próprias tentam consertar.

Erros que levarão tempo para serem reajustados?

O surgimento da nossa espécie, a partir do momento em que nos organizamos
em sistemas urbanos, tornou nossa relação complexa. Agredimos muito, nos
trancamos em paredes e achamos que, por meio de tecnologias, resolvemos tudo.
É preciso perceber como as coisas funcionam. Não estamos isolados. Nosso
corpo é formado por milhares de sistemas dentro de sistemas. Átomos que
formam moléculas, células e tecidos; que formam o indivíduo humano,
sociedades, populações, biota, ecossistema global, sistema solar, galáxia e
cosmos. E, se regredir abaixo do átomo, tem os níveis de energia. Somos macro
e micro ao mesmo tempo. Tanto religião quanto educação, enfiaram em nossas
cabeças que somos indivíduos. Não! Somos elementos de um todo. Ao mesmo tempo
pequenininhos e gigantescos. Não somos os donos da história. Temos, também,
nossa importância cósmica. Não falamos mais em educação ambiental para pensar
globalmente e agir localmente. É muito estreito. Tudo influencia o todo.
Precisamos pensar cosmicamente e agir global e localmente.

O leque aromático de um copo de vinho


João Lombardo
21/06/08

Muita gente afirma que jamais vai entender de vinho. Pessoas que se dizem incapazes de sentir, por exemplo, aromas de certos vinhos. É normal, em degustações dirigidas, ouvir comentários do tipo: “como ele pode sentir cheiro de cassis no vinho? Vinho não é feito de uva? Acho que eu nunca vou entender de vinhos”. Comentários assim apontam para a necessidade de desmistificar questões relativas ao mundo do vinho. Entre elas, a questão dos aromas. Entender por que um vinho, que é feito de uva, pode ter aromas de outras frutas brancas ou vermelhas, flores e especiarias.

Há no vinho cerca de 220 substâncias que respondem por variados aromas. Essas substâncias são aldeídeos, cetonas, ésteres, terpenos, álcoois superiores e ácidos, entre outras. São verdades químicas. Algumas substâncias são flagrantes, outras mais tímidas. É provado que nem todas as pessoas têm a mesma capacidade de percepção olfativa. Mas é possível, digamos assim, “treinar o nariz” para identificar aromas, pelo menos os mais evidentes. E associa-los àquilo que conhecemos.

O primeiro passo é buscar uma taça adequada, com bojo mais largo que a boca. Esse formato transformará o corpo da taça num condutor de aromas que se afunilam, do vinho até o nariz. Um dos motivos da baixa percepção de aromas diz respeito a copos inadequados, com boca muita larga, por exemplo. Em vez da concentração, eles promovem a dispersão dos aromas.
Vinho até mais ou menos um-terço do copo, é hora de, literalmente, “mergulhar” o nariz na taça e deixar-se envolver pelos perfumes que brotam do líquido. Girar um pouco a taça ajuda a volatizar os aromas. E aí, deve-se prestar a atenção nos perfumes e tentar associa-los àqueles aromas que estão presentes na memória olfativa de cada um.

Tecnicamente, os aromas do vinho são classificados em três categorias: primário, secundário e terciário. Os aromas primários estão presentes na uva e permanecem no vinho, mesmo com a fermentação. São também chamados de aromas varietais, típicos de certas uvas. Eles derivam de substâncias como os terpenos e são flagrantes em castas aromáticas como a Moscato, a Gewürztraminer e a Torrontés. Esses aromas remetem a notas florais e frutadas. No caso dos vinhos brancos, eles trazem lembranças de perfumes de rosas brancas, flor de laranjeira e frutas delicadas. A pirazina, outra substância de aroma primário, presente na Cabernet Sauvignon, traz ao nariz notas que lembram o pimentão.

Os aromas secundários se formam durante a fase de fermentação e resultam da ação das leveduras sobre o mosto de uvas. Também há aromas secundários que se formam durante a fermentação malolática, aquela que, por ação de bactérias, transforma o ácido málico, bastante agressivo, em ácido lático, mais macio. Ácidos, álcoois superiores e ésteres respondem por esses aromas, que se expressam através de notas também frutadas, florais e vegetais.

Os aromas terciários, também chamados de bouquet, decorrem do amadurecimento do vinho. Eles se formam na barrica e na garrafa. E resultam de fenômenos de óxido-redução e da influência das barricas de carvalho no vinho. São ésteres, álcoois superiores, aldeídos, cetonas e lactonas. No leque de aromas terciários podem-se encontrar especiarias como a canela, a baunilha e o cravo. E também notas tostadas, de chocolate e café. Os aromas terciários trazem complexidade aos vinhos e provocam o degustador, no melhor dos sentidos.

Há, portanto, uma verdade química nos aromas dos vinhos. Uma verdade vinda de substâncias que podem ser relacionadas a aromas guardados na memória de cada um. Quem toma vinho tinto e conhece cassis, pode encontrar o aroma dessa fruta num vinho originário de Bordeaux, na França. Quem não convive com cassis pode associar o aroma de um tinto de Bordeaux a outras frutas vermelhas, àquelas que costuma apreciar. Não há uma verdade tão rígida nisso.

Vale citar também que o vinho pode suscitar lembranças individuais. É comum, às vezes, sentir um aroma, numa taça de vinho, que remete a uma lembrança da infância, por exemplo, a uma cena oculta no profundo oceano da memória. Quando isso acontece, o vinho se torna mais prazeroso e complexo. E, em meio a tantas sensações aromáticas coletivas, ele pode despertar um sentimento único, individual. Um aroma do qual, infelizmente, outros degustadores não poderão desfrutar. Saúde e boa semana!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Flute

Só.

Alone,
Alone.
All, all alone.
Alone in a wide, wide sea...


...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

“Os dias que estes homens passam nas montanhas
São os dias em que realmente vivem.


Quando as cabeças se limpam de teias de aranha
E o sangue corre com força pelas veias.


Quando os cinco sentidos cobram vitalidade
E o homem completo se torna mais sensível.


E então já pode ouvir as vozes da natureza
E ver as belezas que só estavam ao alcance dos mais ousados.”


R. Messner.




...
Um belo restaurante típico de Morretes, mas fora, bem fora do agito dos "Barreados Corridos"...

Engenho da Serra


Engenho da Serra II



Fortuna



Fortuna II