Que princípio é este? Os 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você, os outros90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passacom você. O que isto quer dizer?
Realmente, nós não temos controle sobre 10% do que nos sucede. Não podemosevitar que o carro enguice, que o avião atrase, que o semáforo fique novermelho. Mas, você é quem determinará os outros 90%. Como? Com sua reação. Exemplo: você está tomando o café da manhã com sua família. Sua filha, aopegar a xícara, deixa o café cair na sua camisa branca de trabalho. Vocênão tem controle sobre isto. O que acontecerá em seguida será determinadopor sua reação. Então, você se irrita. Repreende severamente sua filha e ela começa achorar. Você censura sua esposa por ter colocado a xícara muito na beiradada mesa. E tem prosseguimento uma batalha verbal. Contrariado e resmungando, você vai mudar de camisa. Quando volta, encontrasua filha chorando mais ainda e ela acaba perdendo o ônibus para a escola. Sua esposa vai pro trabalho, também contrariada. Você tem de levar suafilha, de carro, pra escola. Como está atrasado, dirige em alta velocidadee é multado. Depois de 15 min. de atraso, uma discussão com o guarda detrânsito e uma multa, vocês chegam à escola, onde sua filha entra, sem sedespedir de você. Ao chegar atrasado ao escritório, você percebe queesqueceu de sua maleta. Seu dia começou mal e parece que ficará pior. Vocêfica ansioso pro dia acabar e quando chega em casa, sua esposa e filhaestão de cara fechada, em silêncio e frias com você. Por quê? Por causa de sua reação ao acontecido no café da manhã. Pense: "Por quê seu dia foi péssimo?"A) por causa do café?B) por causa de sua filha?C) por causa de sua esposa?D) por causa da multa de trânsito?E) por sua causa? A resposta correta é a E. Você não teve controle sobre o que aconteceu com o café, mas o modo comovocê reagiu naqueles 5 minutos foi o que deixou seu dia ruim. O café cai nasua camisa. Sua filha começa a chorar. Então, você diz a ela, gentilmente:"está bem, querida, você só precisa ter mais cuidado". Depois de pegaroutra camisa e a pasta executiva, você volta, olha pela janela e vê suafilha pegando o ônibus. Dá um sorriso e ela retribui, dando adeus com amão. Notou a diferença? Duas situações iguais, que terminam muito diferente. Por quê? Porque os outros 90% são determinados por sua reação. Aqui temos um exemplo de como aplicar o Princípio 90/10. Se alguém diz algonegativo sobre você, não leve a sério, não deixe que os comentáriosnegativos te afetem. Reaja apropriadamente e seu dia não ficará arruinado. Como reagir a alguém que te atrapalha no trânsito? Você fica transtornado?Golpeia o volante? Xinga? Sua pressão sobe? O que acontece se você perder oemprego? Por quê perder o sono e ficar tão chateado? Isto não funcionará. Use a energia da preocupação para procurar outro trabalho. Seu vôo estáatrasado, vai atrapalhar a sua programação do dia. Por quê manifestarfrustração com o funcionário do aeroporto? Ele não pode fazer nada. Use seutempo para estudar, conhecer os outros passageiros. Estressar-se só pioraas coisas. Agora que você já conhece o Princípio 90/10, utilize-o. Você sesurpreenderá com os resultados e não se arrependerá de usá-lo. Milhares de pessoas estão sofrendo de um stress que não vale a pena,sofrimentos, problemas e dores de cabeça. Todos devemos conhecer e praticaro Princípio 90/10.
Pode mudar a sua vida!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
O sofrimento é opcional
Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
Mas das coisas que foram sonhadas
E não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
Apenas agradecer por termos conhecido
Uma pessoa tão bacana,
Que gerou em nós um sentimento intenso
E que nos fez companhia por um tempo razoável,
Um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
O que foi desfrutado e passamos a sofrer
Pelas nossas projeções irrealizadas,
Por todas as cidades que gostaríamos
De ter conhecido ao lado do nosso amor
E não conhecemos,
Por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
Por todos os shows e livros e silêncios
Que gostaríamos de ter compartilhado,
E não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
Pela eternidade.
Sofremos não porque
Nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
Mas por todas as horas livres
Que deixamos de ter para ir ao cinema,
Para conversar com um amigo,
Para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
Mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
Nossas mais profundas angústias
Se ela estivesse interessada
Em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
Mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
Mas porque o futuro está sendo
Confiscado de nós,
Impedindo assim que mil aventuras
Nos aconteçam,
Todas aquelas com as quais sonhamos e
Nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
Mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
Nas forças que não usamos,
Na prudência egoísta que nada arrisca,
E que, esquivando-se do sofrimento,
Perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.
Carlos Drummond de Andrade
Nossa dor não advém das coisas vividas,
Mas das coisas que foram sonhadas
E não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
Apenas agradecer por termos conhecido
Uma pessoa tão bacana,
Que gerou em nós um sentimento intenso
E que nos fez companhia por um tempo razoável,
Um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
O que foi desfrutado e passamos a sofrer
Pelas nossas projeções irrealizadas,
Por todas as cidades que gostaríamos
De ter conhecido ao lado do nosso amor
E não conhecemos,
Por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
Por todos os shows e livros e silêncios
Que gostaríamos de ter compartilhado,
E não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
Pela eternidade.
Sofremos não porque
Nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
Mas por todas as horas livres
Que deixamos de ter para ir ao cinema,
Para conversar com um amigo,
Para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
Mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
Nossas mais profundas angústias
Se ela estivesse interessada
Em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
Mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
Mas porque o futuro está sendo
Confiscado de nós,
Impedindo assim que mil aventuras
Nos aconteçam,
Todas aquelas com as quais sonhamos e
Nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
Mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
Nas forças que não usamos,
Na prudência egoísta que nada arrisca,
E que, esquivando-se do sofrimento,
Perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
É claro!
Mais uma dose? É claro!
É claro que eu tô a fim
A noite nunca tem fim
Por que quê a gente é assim?
Agora fica comigo
E não, não
Não desgruda de mim
Vê se ao menos me engole
Não me mastigue assim...
É claro que eu tô a fim
A noite nunca tem fim
Por que quê a gente é assim?
Agora fica comigo
E não, não
Não desgruda de mim
Vê se ao menos me engole
Não me mastigue assim...
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Ficando velho
Saudade da Curitiba dos meus tempos de guri.
- Das partidas do "bete-ombro".
- Do jogo de tique.
- Do jogo de búrico (bolinhas de gude, de vidro...). (não dou volta, não vale fidusca...)
- Dos treinos no campinho com as bolas de "capotão" da Casa Walter.
- Saudade do jogo do bafo com as Balas Zequinha. Tinha Zequinha Médico, Zequinha Radialista, Zequinha Motorista, Zequinha Papai Noel (Esta era uma figurinha difícil, quase não saía. Só os mais afortunados conseguiam). Tinha até Zequinha Ladrão (e como tinha...). As figurinhas embrulhavam aquelas balas ruins, que ninguém chupava, mas que divertiram muito a piazada. No jogo do bafo era proibido cuspir na mão... O ciclo se repetia a cada ano.
- Dos balões de São João que iluminavam as noites frias da Curitiba dos meus tempos de guri. Era Balão Caixa, Balão Mimosa, Balão Cruz. De todos os tamanhos e de todas as formas. Tinha uns grandes, tão grandes que até os bombeiros vinham ajudar na hora de acender a tocha. Os soldados vinham, erguiam a escada, seguravam a copa, o baloeiro acendia a tocha, o fogo ardia e o balão subia, espargindo parafina incandescente sobre a Curitiba dos meus tempos de guri. (nunca ouvi falar que um balão provocou um incêndio!).
- Das raias (pipas, pandorgas...) que esvoaçam pelos campos da Galícia.
- Eram felizes os piás de Curitiba
- Espremidos nas calças curtas os piás levavam prá escola um punhado de bolachas Duchen e meia garrafa de Capilé. Às vezes, Crush ou Mirinda. Quando não, um suco de uva Grapete. Ou gasosa de framboesa da Cini. Prá variar, Minuano. Tinha uns que levavam Bidu-Cola ou Guaraná Caçulinha, com bolacha Maria.
- Aos domingos, faceiros, no terninho de marinheiro da Maison Blanche, iam à matinada do Cine Ópera para ver Tom e Jerry.
- As meninas, gabolas, enfeitadas em suas saias godê, da Joclena, e blusinhas da Mazer, uma loja infantil ao lado da Gomel, na “Rua dos Turcos”.
- A Maison Blanche era de meninos. A Joclena e a Mazer, de meninas.
- Piá nenhum admitia vestir o tal de “brim coringa não encolhe”, aquele tecido azulão grosso, especialmente para macacão de mecânico, que hoje chamam de Jeans. As meninas vestiam tafetá ou veludo. Os meninos, terninhos de casimira. Quando muito, camisa volta ao mundo e calça de tergal.
- Piás felizes chutando bola, descalços, sobre as rosetas dos campinhos por todos os lados. (Tínhamos que tirar os sapatos para não gastar, senão a bronca vinha certa).
- Esse tempo de guri acabou, assim como acabou a Modelar, a Casa Rosa, a Casa Vermelha, a Casa Sade.
- Não tem mais a Casa da Sogra do Aron Ceranko, presidente do Ferroviário (que também não existe mais). Não tem mais a Casa da Pechincha. Desapareceu o Louvre do Calluf, assim como nos deixaram os fraternos irmãos Munir e Padre Emir.
- Não tem mais a Casa das Meias do telefone 66-6666, nem o 444 da Barão. E a Casa Edith, acredite, ainda tem, mas os chapéus Prada não vende mais. E a Três Coelhos, em que cartola se meteu? Não tem mais Móveis Cimo.
- Já não se ouve mais o apito da Fábrica Lucinda.
- Mudou a Casa Feres, “pequena por fora e grande por dentro”.
- As Casas Lorusso, “suba que o preço desce”, também desapareceram.
- Fechou a Casa Dico, a Joalheria Pérola, do Kaminski, a Importadora Americana, do Marcos Salomão Axelrud, que vendia o Simca Chambord e o Simca Rally.
- Desapareceram o Frischmann´s Magazine, assim como o Chocolate Basgal, da Tiradentes.
- Não tem mais a Tarobá, do Pedro Stier, em cujas vitrines o pioneiro Nagib Chede exibiu o primeiro programa de TV, no Estado do Paraná, projetado diretamente do último andar do Edifício Tijucas. E o povo encantado via o Jamur em preto e branco, contando as notícias do dia.
- Não tem mais o Cine Curitiba onde os piás trocavam Gibis do Capitão Marvel, pelos X-9 do Monte Hale.
- Cadê o Cine América, do Palácio, do Broodway, do Avenida, do Ribalta, do Oásis, do Rívoli, do Vitória, do Marabá, do Luz, do Arlequim, do Ritz. Até os filmes do Morguenau e do Guarani chegaram ao fim.
- Acabaram as matinés do domingo a tarde (depois de enxugar toda a louça do almoço de domingo para a mãe).
Se você "aprontava" durante a semana lá se ia a matinê de domingo. Era ficar na janela vendo os amigos irem, com um monte de gibis em baixo do braço.
Lembram que quando o "mocinho" beijava a mocinha todo mundo fazia barulho com os pés no assoalho de madeira do cinema?
- Não tem mais o bar Pólo Norte, no fim do trilho do bonde da Colônia Argelina.
- E o Lá no Lhum, da Barão?
- E a Charutaria Liberty, na esquina da XV com Monsenhor Celso, para onde se mudou?
- O Hermes Macedo, “Do Rio Grande ao Grande Rio”, que rumo tomou?
- E o Prosdócimo, onde mamãe comprou a minha primeira Ralleig. (Era uma bicicleta preta, com frisos dourados e raios niquelados, importada. Inglesa. Quanto luxo. Sentia-me um Fittipaldi na boleia da sua Lotus).
- E o Sérgio Prosdócimo, hoje, nem sabe disso. Ele também era um piá, nos meus tempos de guri
- Não vejo mais as Óticas Curitiba, dos Irmãos Barbosa.
- Onde foi parar a Casa Nickel, que vendia Chevrolet?
- Desapareceram as Casa Londres e a Ottoni. O Lord Magazine, onde os almofadinhas compravam seus esporte-fino exibidos nos chás-dançantes de Medicina e Engenharia.
- A Slopper também acabou. Mesmo fim levaram Calçados Clark, Lojas Ika e Pugsley.
- Acabou-se o Café Alvorada do Senadinho. (onde um amigo meu ao mexer com a garçonete recebeu um bule cheio de café na cara).
- Fechou o Ouro Verde, onde nasceu a Boca Maldita. Nem Café Marumby, nem Café Piraquara tem mais.
- Apagou-se o neon da Caixa Econômica, na Praça Osório, com as moedinhas correndo e caindo no cofrinho?
- E a farmácia Minerva, antiga, que vendia Zig e Mercúrio-Cromo e também Pasta Kolynos, Creme Dental Eucalol e Sabonete Lifebuoy. (Será que ainda existe o Talco Ross)? E o Rum Creosotado? E Auricedina? E a Pomada Minâncora? E o Vinho Reconstituinte Silva Araújo? E o Regulador Xavier: “número um excesso; número dois, escassez”. (!). E Antissardina. E o Creme Rugol. E as Pílulas de Vida do Doutor Ross, “fazem bem ao fígado de todos nós”.
- Nem a Stellfeld, do relógio de sol sobrou, com suas prateleiras repletas de Cibalena, Varamon e Cafiaspirina, Glostora e Gumex. Só o relógio de sol resistiu, como se a testemunhar os meus tempos de guri.
- No Edifício Azulai ficava a Musical, onde comprei uma radiola marfim, para ouvir de Nat King Cole cantando “Catito”, nos long play da Chantecler. Ali também ficava a loja de calçados Pisar Firme.
- Fechou o Banco de Curitiba, quebrou o Banestado. E o Bamerindus? Ave, Avelino.
É verdade, o tempo passa, o tempo voa…
- Cadê o Colégio Partenon, o Iguaçu (pagou, passou!) da Praça Rui Barbosa?. E a Escola de Comércio De Plácido e Silva, cuja diretora Juril Carnascialli encantava os seus alunos pela sua fineza de trato e cultura herdada do iluminado Josef de Plácido e Silva. Muito obrigado Juril.
- E o Colégio Cajuru. Por onde andarão as suas alunas, tão bonitas e invejadas?
- E as meninas do Sion com suas saias cor de vinho?
- E as normalistas do Instituto de Educação por onde andarão?
- Acabaram-se as empadinhas da Cometa, os queijos da Casa da Manteiga do amigo Guido, hoje Meritíssimo Desembargador.
- A coalhada da Schaffer, o Toddy da Leiteria Viana, e o pão sovado da Berberi, em que forno se enfornou?
- E a pastelaria Ton Jan, da Marechal. Tinha pastel de carne e de palmito. E também o especial, com ovo e azeitona
- Fechou a Churrascaria Bambu a Tupâ? Até a Caça e Pesca fechou.
- Não tem mais o açougue Garmatter e nem o Francês.
- E o piá de pedra fazendo xixi na frente do Posto Garoto, cresceu?
- Acabou-se o Rabo-de-Galo do Bar Americano e não tem mais a Carne de Onça do Buraco do Tatu. Nem o filé completo da Tingui. Nem a dobradinha do Restaurante Rio Branco. Do pastelzinho do Pasquale, nas manhãs dos sábados no Passeio Público, restou a saudade.
- O Locanda Suíça desapareceu. Até o Gruta Azul sumiu.
- O Jatão, em Santa Felicidade, travou a turbina e caiu. Desmoronou.
- Nem a Maria do Cavaquinho, nem a Gilda, nem o Esmaga ou o Osvaldinho perambulam pelas portas da Velha Adega, na Cruz Machado, ou pela frente da Gogó da Ema na Comendador. Por ali onde andava o Saca-Rolha, nas tardes de sol, com o seu guarda chuva sempre fechado.
- O Bataclã não desfila mais com o seu terno branco e cravo vermelho na lapela, pela frente do Fontana Di Trevi ou da Guairacá, na João Pessoa que virou Luiz Xavier.
- Fechou a Curitiba onde nasci. Só não fechou este meu tempo de guri
- Não tem mais Leminski. Nem Kolody. Dele, resta o lamento: “Esta vida é uma viagem; pena eu estar só de passagem”. Dela, um alento: “Para quem viaja ao encontro do sol é sempre madrugada” . De mim, o consolo: “Saudade! és a ressonância De uma cantiga sentida, Que, embalando a nossa infância, Nos segue por toda a vida”.
- Curitiba querida, que bom que eu te vivi!
(autor desconhecido).
- Das partidas do "bete-ombro".
- Do jogo de tique.
- Do jogo de búrico (bolinhas de gude, de vidro...). (não dou volta, não vale fidusca...)
- Dos treinos no campinho com as bolas de "capotão" da Casa Walter.
- Saudade do jogo do bafo com as Balas Zequinha. Tinha Zequinha Médico, Zequinha Radialista, Zequinha Motorista, Zequinha Papai Noel (Esta era uma figurinha difícil, quase não saía. Só os mais afortunados conseguiam). Tinha até Zequinha Ladrão (e como tinha...). As figurinhas embrulhavam aquelas balas ruins, que ninguém chupava, mas que divertiram muito a piazada. No jogo do bafo era proibido cuspir na mão... O ciclo se repetia a cada ano.
- Dos balões de São João que iluminavam as noites frias da Curitiba dos meus tempos de guri. Era Balão Caixa, Balão Mimosa, Balão Cruz. De todos os tamanhos e de todas as formas. Tinha uns grandes, tão grandes que até os bombeiros vinham ajudar na hora de acender a tocha. Os soldados vinham, erguiam a escada, seguravam a copa, o baloeiro acendia a tocha, o fogo ardia e o balão subia, espargindo parafina incandescente sobre a Curitiba dos meus tempos de guri. (nunca ouvi falar que um balão provocou um incêndio!).
- Das raias (pipas, pandorgas...) que esvoaçam pelos campos da Galícia.
- Eram felizes os piás de Curitiba
- Espremidos nas calças curtas os piás levavam prá escola um punhado de bolachas Duchen e meia garrafa de Capilé. Às vezes, Crush ou Mirinda. Quando não, um suco de uva Grapete. Ou gasosa de framboesa da Cini. Prá variar, Minuano. Tinha uns que levavam Bidu-Cola ou Guaraná Caçulinha, com bolacha Maria.
- Aos domingos, faceiros, no terninho de marinheiro da Maison Blanche, iam à matinada do Cine Ópera para ver Tom e Jerry.
- As meninas, gabolas, enfeitadas em suas saias godê, da Joclena, e blusinhas da Mazer, uma loja infantil ao lado da Gomel, na “Rua dos Turcos”.
- A Maison Blanche era de meninos. A Joclena e a Mazer, de meninas.
- Piá nenhum admitia vestir o tal de “brim coringa não encolhe”, aquele tecido azulão grosso, especialmente para macacão de mecânico, que hoje chamam de Jeans. As meninas vestiam tafetá ou veludo. Os meninos, terninhos de casimira. Quando muito, camisa volta ao mundo e calça de tergal.
- Piás felizes chutando bola, descalços, sobre as rosetas dos campinhos por todos os lados. (Tínhamos que tirar os sapatos para não gastar, senão a bronca vinha certa).
- Esse tempo de guri acabou, assim como acabou a Modelar, a Casa Rosa, a Casa Vermelha, a Casa Sade.
- Não tem mais a Casa da Sogra do Aron Ceranko, presidente do Ferroviário (que também não existe mais). Não tem mais a Casa da Pechincha. Desapareceu o Louvre do Calluf, assim como nos deixaram os fraternos irmãos Munir e Padre Emir.
- Não tem mais a Casa das Meias do telefone 66-6666, nem o 444 da Barão. E a Casa Edith, acredite, ainda tem, mas os chapéus Prada não vende mais. E a Três Coelhos, em que cartola se meteu? Não tem mais Móveis Cimo.
- Já não se ouve mais o apito da Fábrica Lucinda.
- Mudou a Casa Feres, “pequena por fora e grande por dentro”.
- As Casas Lorusso, “suba que o preço desce”, também desapareceram.
- Fechou a Casa Dico, a Joalheria Pérola, do Kaminski, a Importadora Americana, do Marcos Salomão Axelrud, que vendia o Simca Chambord e o Simca Rally.
- Desapareceram o Frischmann´s Magazine, assim como o Chocolate Basgal, da Tiradentes.
- Não tem mais a Tarobá, do Pedro Stier, em cujas vitrines o pioneiro Nagib Chede exibiu o primeiro programa de TV, no Estado do Paraná, projetado diretamente do último andar do Edifício Tijucas. E o povo encantado via o Jamur em preto e branco, contando as notícias do dia.
- Não tem mais o Cine Curitiba onde os piás trocavam Gibis do Capitão Marvel, pelos X-9 do Monte Hale.
- Cadê o Cine América, do Palácio, do Broodway, do Avenida, do Ribalta, do Oásis, do Rívoli, do Vitória, do Marabá, do Luz, do Arlequim, do Ritz. Até os filmes do Morguenau e do Guarani chegaram ao fim.
- Acabaram as matinés do domingo a tarde (depois de enxugar toda a louça do almoço de domingo para a mãe).
Se você "aprontava" durante a semana lá se ia a matinê de domingo. Era ficar na janela vendo os amigos irem, com um monte de gibis em baixo do braço.
Lembram que quando o "mocinho" beijava a mocinha todo mundo fazia barulho com os pés no assoalho de madeira do cinema?
- Não tem mais o bar Pólo Norte, no fim do trilho do bonde da Colônia Argelina.
- E o Lá no Lhum, da Barão?
- E a Charutaria Liberty, na esquina da XV com Monsenhor Celso, para onde se mudou?
- O Hermes Macedo, “Do Rio Grande ao Grande Rio”, que rumo tomou?
- E o Prosdócimo, onde mamãe comprou a minha primeira Ralleig. (Era uma bicicleta preta, com frisos dourados e raios niquelados, importada. Inglesa. Quanto luxo. Sentia-me um Fittipaldi na boleia da sua Lotus).
- E o Sérgio Prosdócimo, hoje, nem sabe disso. Ele também era um piá, nos meus tempos de guri
- Não vejo mais as Óticas Curitiba, dos Irmãos Barbosa.
- Onde foi parar a Casa Nickel, que vendia Chevrolet?
- Desapareceram as Casa Londres e a Ottoni. O Lord Magazine, onde os almofadinhas compravam seus esporte-fino exibidos nos chás-dançantes de Medicina e Engenharia.
- A Slopper também acabou. Mesmo fim levaram Calçados Clark, Lojas Ika e Pugsley.
- Acabou-se o Café Alvorada do Senadinho. (onde um amigo meu ao mexer com a garçonete recebeu um bule cheio de café na cara).
- Fechou o Ouro Verde, onde nasceu a Boca Maldita. Nem Café Marumby, nem Café Piraquara tem mais.
- Apagou-se o neon da Caixa Econômica, na Praça Osório, com as moedinhas correndo e caindo no cofrinho?
- E a farmácia Minerva, antiga, que vendia Zig e Mercúrio-Cromo e também Pasta Kolynos, Creme Dental Eucalol e Sabonete Lifebuoy. (Será que ainda existe o Talco Ross)? E o Rum Creosotado? E Auricedina? E a Pomada Minâncora? E o Vinho Reconstituinte Silva Araújo? E o Regulador Xavier: “número um excesso; número dois, escassez”. (!). E Antissardina. E o Creme Rugol. E as Pílulas de Vida do Doutor Ross, “fazem bem ao fígado de todos nós”.
- Nem a Stellfeld, do relógio de sol sobrou, com suas prateleiras repletas de Cibalena, Varamon e Cafiaspirina, Glostora e Gumex. Só o relógio de sol resistiu, como se a testemunhar os meus tempos de guri.
- No Edifício Azulai ficava a Musical, onde comprei uma radiola marfim, para ouvir de Nat King Cole cantando “Catito”, nos long play da Chantecler. Ali também ficava a loja de calçados Pisar Firme.
- Fechou o Banco de Curitiba, quebrou o Banestado. E o Bamerindus? Ave, Avelino.
É verdade, o tempo passa, o tempo voa…
- Cadê o Colégio Partenon, o Iguaçu (pagou, passou!) da Praça Rui Barbosa?. E a Escola de Comércio De Plácido e Silva, cuja diretora Juril Carnascialli encantava os seus alunos pela sua fineza de trato e cultura herdada do iluminado Josef de Plácido e Silva. Muito obrigado Juril.
- E o Colégio Cajuru. Por onde andarão as suas alunas, tão bonitas e invejadas?
- E as meninas do Sion com suas saias cor de vinho?
- E as normalistas do Instituto de Educação por onde andarão?
- Acabaram-se as empadinhas da Cometa, os queijos da Casa da Manteiga do amigo Guido, hoje Meritíssimo Desembargador.
- A coalhada da Schaffer, o Toddy da Leiteria Viana, e o pão sovado da Berberi, em que forno se enfornou?
- E a pastelaria Ton Jan, da Marechal. Tinha pastel de carne e de palmito. E também o especial, com ovo e azeitona
- Fechou a Churrascaria Bambu a Tupâ? Até a Caça e Pesca fechou.
- Não tem mais o açougue Garmatter e nem o Francês.
- E o piá de pedra fazendo xixi na frente do Posto Garoto, cresceu?
- Acabou-se o Rabo-de-Galo do Bar Americano e não tem mais a Carne de Onça do Buraco do Tatu. Nem o filé completo da Tingui. Nem a dobradinha do Restaurante Rio Branco. Do pastelzinho do Pasquale, nas manhãs dos sábados no Passeio Público, restou a saudade.
- O Locanda Suíça desapareceu. Até o Gruta Azul sumiu.
- O Jatão, em Santa Felicidade, travou a turbina e caiu. Desmoronou.
- Nem a Maria do Cavaquinho, nem a Gilda, nem o Esmaga ou o Osvaldinho perambulam pelas portas da Velha Adega, na Cruz Machado, ou pela frente da Gogó da Ema na Comendador. Por ali onde andava o Saca-Rolha, nas tardes de sol, com o seu guarda chuva sempre fechado.
- O Bataclã não desfila mais com o seu terno branco e cravo vermelho na lapela, pela frente do Fontana Di Trevi ou da Guairacá, na João Pessoa que virou Luiz Xavier.
- Fechou a Curitiba onde nasci. Só não fechou este meu tempo de guri
- Não tem mais Leminski. Nem Kolody. Dele, resta o lamento: “Esta vida é uma viagem; pena eu estar só de passagem”. Dela, um alento: “Para quem viaja ao encontro do sol é sempre madrugada” . De mim, o consolo: “Saudade! és a ressonância De uma cantiga sentida, Que, embalando a nossa infância, Nos segue por toda a vida”.
- Curitiba querida, que bom que eu te vivi!
(autor desconhecido).
Assinar:
Postagens (Atom)